Após a Segunda Guerra Mundial, o cinema americano, desta vez refletindo os ecos das armas químicas e da rivalidade com a União Soviética, presenciou uma onda de filmes que retratavam invasões alienígenas, zumbis que perseguiam incansavelmente os habitantes de determinado vilarejo para torná-los também mortos-vivos ou ainda animais (ou até vegetais) que, após sofrerem mutações genéticas, ganhavam proporções monstruosas, aterrorizando grandes centros urbanos. Era o mais próximo que o cinema havia chegado do terror com ficção-científica, mistura relegada aos filmes B que, preocupados apenas com o “espetáculo”, não se aprofundavam em nenhum dos dois gêneros. Em 1979 Ridley Scott mudou isso para sempre.

Ao aceitar o convite da Fox para filmar o roteiro escrito por Dan O’Bannon, Scott inovou com os conceitos que introduziu, estabelecendo uma mescla de ficção-científica com terror que inaugurou uma nova forma de se sentir medo no cinema, fazendo uso da solidão do espaço sideral e dos momentos de silêncio para criar a tensão necessária para a história. Nela, sete tripulantes da nave cargueira Nostromo descobrem, após pousarem em um planeta deserto, um terrível oitavo passageiro que “nasce” do peito de um deles e, crescendo rapidamente, se torna uma criatura medonha e verdadeiramente ameaçadora que, ao longo da projeção, vai eliminado um a um até que reste apenas a Tenente Ellen Ripley, papel pelo qual Sigourney Weaver ficou irremediavelmente vinculada por toda a sua carreira.

Assim nascia a franquia Alien que, após sua estreia, passou pelas mãos de outros cineastas, alguns muito talentosos, outros nem tanto. Foi o batedor de recordes de bilheteria James Cameron quem deu continuidade à série, ao lançar Aliens em 1986. A opção pelo plural no título original é facilmente justificada pela presença de dezenas de xenomorfos causando o terror em uma estação localizada no mesmo planeta remoto onde a Nostromo havia pousado muitos anos antes. Cameron elevou o nível da ação neste segundo filme, mas manteve a essência do suspense e do terror. Uma sequência, em especial, em que Ripley e uma garotinha estão trancadas em uma sala onde também se esconde um “alien aranha” é de arrepiar…  O filme ainda nos apresentou à Alien Rainha e incluiu muito mais nuances aos já ardilosos e escusos planos da inescrupulosa “Companhia”, além de ter tornado Weaver a maior heroína do cinema dos anos 1980, que chegou a ser indicada ao Oscar por este papel. Não ganhou, mas o filme, que recebeu sete indicações no total, acabou levando duas estatuetas, de efeitos sonoros e efeitos especiais, além de ter sido um dos maiores sucessos de bilheteria daquele ano.

Então, em 1992, veio Alien³, conduzido por David Fincher, que até hoje afirma ter sido este o pior filme que realizou. Não é tão ruim assim. O longa tentou resgatar o suspense silencioso do primeiro, e até conseguiu, em termos. Mas esse filme é lembrado mesmo pelo seu final, que dividiu opiniões. Continuando a saga, em 1997 entrava em cartaz Alien – A Ressurreição, nome sugestivo para o filme que marcou o retorno de Weaver ao papel para o qual ela havia dito que nunca mais retornaria, afirmação que não cumpriu (porque $erá?). Com direção do francês Jean-Pierre Jeunet, esse longa trazia uma Ripley “diferente”, e sua relação com as criaturas estava mais próxima do que nunca. Essa, sim, foi sua última aparição na série (pelo menos até agora). Houve ainda dois cross-overs desnecessários (e que são ignorados pela franquia) envolvendo Aliens e Predadores, lançados em 2005 e 2007. Percebe-se, curiosamente, os longos intervalos de tempo entre os filmes da série Alien que, apesar disso (ou talvez por causa disso), se consolidou como uma das mais bem-sucedidas do gênero sci-fi, se tornando referência para inúmeras outras obras que aderiram à estética visual e à atmosfera claustrofóbica espacial estabelecida por Scott no primeiro filme, lá atrás, em 1979.

O cineasta se afastou por décadas da franquia que o consagrou, e só retornou em 2012 no confuso Prometheus, filme que se propunha a explicar as origens dos xenomorfos e que, por fim, acabou trazendo muito mais perguntas do que respostas, para desapontamento do público. Aguardado com muita ansiedade, Alien Covenant, novamente com Scott na direção, promete o que Prometheus não cumpriu: uma historia que faça sentido no universo que ele mesmo concebeu. Michael Fassbender, que viveu um androide no filme anterior, está de volta, os chamados Engenheiros também, aproveitando o gancho que foi deixado, o que não quer dizer necessariamente que esta nova história irá partir do ponto onde a outra parou. Ridley Scott, cineasta reconhecidamente talentoso, mas que às vezes tropeça, terá acertado desta vez? Conseguirá com este novo filme da série esclarecer mais do que confundir? Trará um resgate dos melhores momentos do início de sua carreira, com novas sequências angustiantes e aterrorizantes? O roteiro fará sentido? Falta menos de um mês para conhecermos essas e outras respostas (se é que elas virão), quando Alien Covenant chegar aos cinemas, em 11 de Maio. Que seja um retorno em grande estilo, que a história desta vez seja mais coerente com a saga e que tenhamos de novo aquele bom e velho clima tenso e assustador!

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