Com o entusiasmo da Sony em produzir um filme dedicado ao Venom, cuja classificação como uma obra de horror, ficção-científica e ação despertou curiosidade e expectativa nos fãs, uma retrospectiva da trajetória deste tão cultuado personagem se mostra oportuna, o que nos leva a uma das mais memoráveis fases do Homem-Aranha nos quadrinhos, e a um dos mais lamentáveis filmes de super-heróis já vistos no cinema.

Amazing Spider-Man #252 marcou o início de uma era singular para o Aracnídeo. Lançada nos EUA em 1984, e publicada no Brasil cinco anos depois pela Editora Abril, em Homem-Aranha nº 71, a HQ trazia na capa o então novíssimo uniforme negro do herói. Esse visual “sombrio” do Amigão da Vizinhança foi apenas uma das várias consequências de Guerras Secretas, considerada a primeira grande saga da Marvel Comics, que levou (quase) todos os seus principais heróis e vilões a um outro planeta para um duelo entre eles  mediado pela entidade chamada Beyonder. Em meio à batalha, tendo seu uniforme tradicional rasgado, Peter Parker “encontrou” algo que se adequou ao seu corpo, assumindo essa aparência um tanto quanto medonha.

Ao voltar à Terra, e tendo gostado das inovações que sua vestimenta inteligente lhe proporcionava (ela tinha inclusive sua própria teia), Parker resolveu então continuar a usá-la. Curioso notar que, durante esse período, o futuro vilão literalmente vestia o herói! Alguns meses depois, esse traje acabou se revelando um perigosíssimo simbionte alienígena. Após muitos transtornos, e contando com a ajuda de Reed Richards, Peter conseguiu se livrar da criatura, que ficou aprisionada, mas não por muito tempo…

O alien escapa, logo em seguida se mescla ao também fotógrafo do Clarim Diário Eddie Broock (que nutria um ódio mortal contra Parker), e os dois se tornam uma só personalidade. Isso foi mostrado em Amazing Spider-Man #300, de 1988 (no Brasil, saiu pela primeira vez em 1992, em Homem-Aranha nº 105, da Abril) escrito por David Michelinie e magnificamente ilustrado por Todd McFarlane. Foi assim, portanto, que surgiu Venom, um dos mais perigosos adversários que o Escalador de Paredes já enfrentou em toda a sua vida. No decorrer dos anos, o personagem (que foi promovido à categoria de anti-herói) também foi fruto da simbiose do alienígena com outros hospedeiros.A popularidade que esse arqui-inimigo do Cabeça de Teia alcançou nas HQs foi tamanha que, após o sucesso de dois filmes do Aracnídeo no cinema, os produtores da Sony enfiaram na cabeça a ideia de que esse vilão teria que aparecer no filme seguinte, que acabou sendo realizado sob uma pressão maior do estúdio e, consequentemente, sem a notória liberdade criativa de seu diretor, Sam Raimi. Eis que, em 2007, lá estava Venom, precocemente levado às telas, em Homem-Aranha 3, filme que desperdiçou seus personagens com uma trama enfadonha e extremamente mal desenvolvida e que, apesar do sucesso comercial, culminou por encerrar de forma vergonhosa essa trilogia cujos outros dois filmes tinham sido tão empolgantes.

Venom é um grande personagem, com uma carreira solidificada e recheada de momentos verdadeiramente intensos nas HQs, tanto que sua interessantíssima trajetória será retomada em um próximo artigo, aguardem! E não há dúvidas de que ele merece uma adaptação mais do que digna das HQs para o cinema. Se for em um filme para maiores, melhor ainda, os fãs agradecem. Já está mais do que comprovado que há público para isso. Fica a nossa torcida para que o horror mencionado na classificação indicativa do filme realmente faça jus a todo o potencial que o personagem tem para aterrorizar. E que as plateias, ao assistirem Venom, com lançamento previsto para 2018, saiam dos cinemas realmente assustadas, não por terem visto um horror de filme, e sim um grande filme de horror!

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