A primeira parte da adaptação da obra de Stephen King, IT (ou A coisa em PT BR) estreou no cinema esse final de semana e já é sucesso de público e crítica.

   A razão de todo esse sucesso é a facilidade com que o filme passea entre vários gêneros diferentes. Embora seja apresentado (nos trailers e divulgações) como um filme de terror, IT é muito mais que isso, indo do terror para a comédia e para o drama sem se perder em nenhum momento. É comum assistir ao filme e ir do riso ao medo de uma cena pra outra, mas tudo ocorre de maneira muito natural, de forma que não soe forçado.

  A história do grupo de amigos, o “Clube dos Otários”, se passa no final da década de 80, o que acrescenta certa nostalgia a trama, além de uma porção de referências da época. Mesmo para quem não viveu esse período, existe uma visão de que esses tempos eram mais simples do que hoje – algo que o cinema (e as séries como Stranger Things) já vem trabalhando há algum tempo.

    (Aproveitando o comentário sobre Stranger Things, é sempre bom lembrar de que a série deve muito as obras de Stephen King, principalmente a IT, publicado mais de 30 anos atrás).

    Além de lidar com os problemas e com o bullying característico da idade, os jovens também lidam com o medo que se espalha na cidade de Derry após o desaparecimento de vários jovens, entre eles o irmão de Bill, George. Bill é uma espécie de “líder” do clube dos Otários, que acredita que George está em algum lugar nos esgotos da cidade.

   Quando todos os amigos tem visões assustadoras envolvendo um palhaço, eles decidem que talvez este seja o responsável pelo desaparecimento das crianças e decidem ir até o local onde supostamente seria a sua morada – um poço que dá para os esgotos. Mas, enquanto tem que lidar com essa força sobrenatural, os meninos também precisam fugir de Henry Bowers, um menino que quer acabar com os Otários.

   Apesar de ser um filme de mais de duas horas, a história não se arrastar em nenhum momento. Percebe-se um cuidado do roteiro em trabalhar a personalidade e o arco individual de cada um dos 7 personagens, ao mesmo tempo fortalecendo o vínculo deles como um grupo. Mas, mesmo enquanto estamos vendo esse desenvolvimento acontecer em tela, também somos surpreendidos com cenas assustadoras, daquelas que te fazem gritar algo no cinema.

    Como o nome sugere, “A coisa” vai muito além de um simples palhaço. Pennywise é apenas uma das formas que esse monstro pode assumir com o objetivo de assustar os jovens. Acaba-se descobrindo que os desaparecimentos são apenas mais uma parte da série de eventos que vem acontecendo em Derry a cada 27 anos. E que, se o Monstro não for destruído, ele com certeza vai voltar pra se alimentar novamente.

   Era inevitável que o filme, enquanto adaptação, não fosse exatamente fiel ao livro: um calhamaço de mais de mil páginas jamais poderia ser levado ao cinema na íntegra, mesmo que dividido em duas partes como é o caso. Foram várias modificações feitas na história, a maioria visando simplificar ou mastigar o enredo: alguns momentos que, no livro, se passam quando os Otários já são adultos, aqui são apresentados já na infância. Outras cenas são puramente inventadas pelo roteirista, mas sempre com base em momentos que aconteceram no livro – nenhuma cena inventada alterou drasticamente a trama central que vemos no livro. Isso é, para mim, um sinal de uma boa adaptação.

   Recomendo IT para os que gostam de bons filmes. Temos ótimas cenas de terror e o filme já seria considerado bons somente com elas. Mas, felizmente, temos também um enredo e personagens excelentes. E isso coloca IT como um dos melhores lançamentos desse ano.

   Nota 9 – muito bom

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