O que significa crescer? Para cada pessoa e em cada momento da vida pode significar uma coisa diferente. Para Christine, uma jovem de 17 anos que só aceita ser chamada de “Lady Bird”, crescer é sair da cidade de Sacramento onde mora ir para Costa Leste, “lugares em que a cultura está”. Ser independente é ir estudar a milhas longe de casa, em uma faculdade que custa mais do que seus pais podem pagar.

Lady Bird é um daqueles filmes que falam sobre a passagem para a vida adulta e, nesse sentido, nada tem nele que seja diferente de vários outros filmes com o mesmo tema. Mesmo assim, gostei da forma como a história foi contada, os casos e percalços pela qual a protagonista passa durante seu último ano no colégio de freiras onde estuda. Não que ocorra nada de muito grave mas a graça do filme é justamente essa leveza. Em meio a uma realidade tão pesada quanto a que nós vivemos, filmes que se passam em um passado idealizado (Lady Bird é dos anos 2000, mas também temos A Forma da Agua e Me chame pelo seu nome) são uma tendência, principalmente em premiações como o Oscar 2018.

Saoirse Ronan está incrível como a excêntrica Lady Bird. Seus diálogos Laurie Metcalf, que faz a mãe da protagonista, são os melhores momentos do filme. A relação complicada das duas se deve ao fato de serem duas personalidades muito fortes mas, mesmo em meio a tantas brigas e discussões dá para ver o amor entre mãe e filha.

A diretora, Greta Gerwig, já tinha feito algum sucesso com outro filme sobre jovens, Frances Ha. Aqui, impressionam alguns takes de Sacramento e a forma como ela consegue fazer essa pequena história tomar forma e ser divertida mesmo que um tanto previsível. É dela também o roteiro do filme, o que me faz pensar o quanto de experiências pessoas a diretora colocou nessa história.

Outro ponto que gostei muito do filme é a amizade entre Bird e Julie. Quem foi daqueles que tiveram um único melhor amigo no colégio vai se identificar bastante. Sabe aquele amigo com quem você compartilha as maiores doiduras e comentários nada a ver? Então, é o que ocorre entre as duas jovens. Mesmo  quando estão afastadas ou chateadas uma com a outra, a amizade não deixa de existir e isso é bem bonito.

O final parece ser meio aberto mas só até percebemos que Lady Bird só cresce mesmo quando percebe e valoriza coisas que sempre deu como certo mas nunca gostou de verdade. Não vou dar spoiler mas é um dos momentos que me emocionaram, a ligação do final é um dos motivos pela qual Lady Bird entrou facilmente na minha lista de melhores do ano.

Creio que o grande mérito para o filme é trazer essa nostalgia e, com simplicidade, conseguir passar uma história que muitos podem se identificar. De vez em quando aparecem filmes assim – Pequena Miss Sunshine e Juno são alguns exemplos. Lady Bird é o filme indie da vez e, embora eu tenha começado o filme com um certo temor (afinal o hype entorno da história estava grande) acabei me surpreendendo positivamente. É bom ver um filme que consegue ser emocionante sem apelar para o dramalhão.

Nota 9 – um ótimo filme

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