O final dos anos 60 e início dos anos 70 foram turbulentos para os quadrinhos. O Comics Code Authority fazia muitas restrições, e assim, muitos roteiristas não tinham liberdade de tratar de assuntos mais sérios nas HQs. Embora a Marvel  tenha emplacado vários personagens mais realistas nos 60(como o Homem-Aranha, que embora tivesse seus grandes poderes, ainda era um garoto do Queens com problemas financeiros e pessoais típicos dos jovens da época), vários títulos eram barrados ou cancelados por não atender a demanda do código de censura.

Porém, nos anos 70, Dennis O’Neil veio para mudar isso. Como o objetivo de revitalizar e aumentar as vendas do Lanterna Verde, O’Neil traz o Arqueiro Verde para o título, com a proposta de fazer a personalidade sempre obediente e leal às autoridades de Hal Jordan entrar em choque com o anarquismo e luta pelos direitos dos menos favorecidos de Oliver Queen.  Logo no início da primeira história, o Lanterna captura um jovem que ameaça um senhor empresário, logo todos ao redor condenam o Guardião Esmeralda, e o Arqueiro surge para mostrar que o jovem estava defendendo os moradores de um prédio que está em más condições, e o empresário que o Lanterna salvou é justamente o dono do prédio, que quer expulsar os inquilinos.

         

Logo quando se dá conta de seu erro, ele leva um dos maiores esporros que eu pessoalmente já vi em uma história em quadrinhos.

 

A partir daí, o Lanterna ajuda o Arqueiro a colocar o senhorio corrupto atrás das grades. E isso foi só o começo. Depois que os Guardiões de OA vem o Hal Jordan enfrentando as autoridades, eles enviam um dos seus para acompanhar Hal e Oliver em uma jornada pelos Estados Unidos para entender melhor a natureza humana, e descobrir que nem sempre o que parece certo é o certo, nem sempre as autoridades tem razão, nem todo mundo no planeta é digno de ser salvo e muitas pessoas boas estão sofrendo injustamente.

Logo nesse primeiro volume, Dennis O’Neil mostra além de problemas de autoridades abusivas, ele também trata de preconceito e discriminação, trabalho escravo, o problema territorial dos índios nos Estados Unidos, e até mesmo de abuso com as mulheres, com a participação especial da Canário Negro, que também apareceu em outras histórias dessa fase. Mais pra frente, no segundo volume, surge aquela famosa história em que Ricardito (santo nome ridículo, Batman), o parceiro do Arqueiro, é revelado como um viciado em heroína. Esse sim foi o grande choque e ponto máximo da publicação.

Esse foi o auge da fase de O’Neil, pois trouxe a tona o que era na época era o pior problema de saúde publica. A história abriu os olhos de muita gente sobre o problema das drogas, e incentivou outros artistas e editoras a tocar nesse assunto nas HQs. O que levou o Comics Code Authority a mudar seus parâmetros, e finalmente deixar que temas mais sérios e adultos fossem tratados nos quadrinhos. Pode ser dito que se não fosse pelo Dennis O’Neil, não teríamos obras como Watchmen, o Cavaleiro das Trevas, Maus, A Queda de Murdock, A Morte de Jean DeWolf, entre outros.

Pra mim, foi uma experiência e tato ler esse material. Os problemas sociais que são demonstrados não são só da época mas são problemas que duram até os dias de hoje. Isso faz com que a história não fique datada, e continue fazendo os leitores pensarem e refletirem até os dias de hoje. Essa obra não possui apenas valor histórico, também tem valor intelectual, justamente por trazer tantos questionamentos e críticas sobre nossa sociedade. Sem dúvida é uma obra indispensável para todos os amantes de quadrinhos.

 

NOTA PESSOAL: o relacionamento do Arqueiro com a Canário é muito mais bacana aqui do que foi mostrado na CW. É nessas horas que eu quero de vez desistir do Arrow.

 

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