Desde a primeira cena mostra que não é qualquer filme da Fox ou do Wolverine: o antigo herói está dormindo no porta malas de uma limousine e acorda com baraulhos do lado de fora. Ele se depara com um grupo de assaltantes e, enquanto tenta convence-los a não fazer isso, leva um tiro e cai. Logan está mais velho, demora a se curar. Mas mesmo assim levanta e retalha a todos. RE-TA-LHA. Mesmo. Como um Freddie Krueger ou algo assim.

   O último filme de Hugh Jackman como Wolverine e dá pra ver que houve um esforço de fazer tudo certo. É um filme mais realista, dramático e sangrento do que os outros desse herói. Esse clima realista não dispensa algum tipo de alívio cômico vez em quando mas é algo mais dosado do que as piadinhas de filmes de Marvel. Nada de muitas gracinhas, essa é a última história de Wolverine nos cinemas e deve ser contada direito.

  Em 2026 (ou 28?) Temos um Wolverine mais velho e com uma capacidade de cura inferior mas não menos letal. Ele agora possui uma limousine e trabalha como motorista particular, em um mundo que não existem mais mutantes e em que os X-Men são lembrados como algo do passado e presente apenas nas histórias em quadrinhos. Essa existência é alterada quando uma mulher surge acompanhada de uma garota, pedindo ajuda: no início Logan hesita mas acaba não tendo outra escolha que não seja levar, Laura, a garota até um endereço dado pela mulher.

   Ele parte então nessa viagem com Laura na companhia do professor Xavier, agora um nonagenário com alguma espécie de distúrbio neurológico. Se Hugh Jackman está bem forte nesse filme e entrega sua melhor interpretação como Logan, Patrick Stewart está com uma aparência mais frágil mas com uma atuação não menos impressionante. Afinal, esse também é o último filme de Patrick Stewart como professor Xavier.

   O clima é de despedidas e, talvez por isso (não há mais nada a perder, nenhuma franquia a manter) James Mangold consegue nos entregar o melhor filme desse herói, com mais realismo e fidelidade a alma do personagem do que qualquer outra trama produzida pela Fox sobre Logan anteriormente. Se você é fã e quer service vai amar Logan, o melhor é mais digno filme do Wolverine já feito.

   Uma personagem que aparece nesse último filme é do qual eu não esperava muita coisa é Laura (ou X-23). Calada e misteriosa, a garota logo mostra seus poderes mutantes e sua personalidade invocada e briguenta. Lembra alguém? Assistam e me digam. Mas é fácil gostar da x-23, espero vê-la nos próximos filmes.

    logan on fire
   Li o arco do “Velho Logan” esperando ver alguma semelhança nas duas histórias mas isso não ocorre. Apenas três coisas parecem ter sido tiradas dessas hqs: o visual de Logan, sua demanda em não ser mais chamado de Wolverine e um certo episódio que, nesse filme, foi atribuído a outro personagem. O apelo sangrento das duas histórias é bem forte mas “Logan”, o filme, coloca tudo em contexto mais realista enquanto Velho Logan tem uma pegada futurista e distópica. Prepare-se para cenas com bastante sangue e cabeças (literalmente) rolando. Nada de preservar o público mais jovem, o filme já tem classificação alta para isso.

    Uma coisa que me incomodou foi a duração do filme, achei algumas cenas meio desnecessárias. Mas quando você pensa que é o último filme do Wolverine até que dá pra entender: Logan é uma ode a esse herói, embora não seja o que esperamos ver em um filme de herói. Nada de máscaras, fantasias, armas poderosas, apocalipse. Poderia ser mais uma história qualquer desse personagem mas acaba se revelando a mais importante de todas, além de conter uma evolução do personagem que os outros filmes sobre Logan tentaram fazer mas nunca soou convincente. Ainda sobre a duração, não se preocupe: Há tensão o suficiente para que o expectador continue vidrado nas 2h20 de filme.

   Quase não há trilha sonora cantada em Logan (exceção a uma música de Johnny Cash), apenas trilha instrumental e, na maioria das vezes, nem isso. A tensão de alguns momentos se deve ao uso dessa trilha em momentos chaves da história para a valorização do que está acontecendo naquele momento. É uma trilha mais discreta, como se James Mangold, diretor e roteirista dessa história incrível, não quisesse tirar o foco da história, dos personagens, do que realmente importa.

maxresdefault

   Outra coisa legal é que, mesmo com tanto Spoiler e informação rolando por aí, ainda teve espaço para uma surpresa ou duas ao longo do filme. A cena do final, por exemplo, até o momento permanece sem muitos comentários e é uma das melhores do filme, atingindo todos os requisitos de uma cena emocionante sem ficar exagerado. Gostei muito de todas as incríveis sequências de lutas, mais pé no chão e realistas do que qualquer outro filme de herói, sem medo de chocar o expectador. Mas gostei ainda mais desse final, bonito sem ser piegas. Até me emocionei um pouco, confesso.

   Se você está lendo essa resenha é porque tem algum interesse em filmes de herói, certo? Então você precisa assistir Logan. Sério. A fox já mostrou com Deadpool que sabe fazer comédia. Agora com Logan mostra que pode fazer drama na medida certa, o que é incrível e deixa uma expectativa para os próximos filmes de herói dessa produtora. Infelizmente porém, os melhores e mais elogiados filmes da Fox só saem quando a produtora não está esperando muitos resultado, como foi o caso de Deadpool e de Logan (para vocês terem uma ideia, Hugh Jackman teve que aceitar diminuir seu cachê para manter a classificação indicativa de 18 anos).

   Eu ainda pretendo assistir a esse filme de novo só para ver se a minha empolgação continua. Mas, por enquanto, dou nota 9,5 – um filme excelente, a qual eu só não dei 10 porque não é um dos meus favoritos (ainda).

***

Amigos, choremos: não tem cenas pós créditos 

%d blogueiros gostam disto: