Quinta-feira, 24 de Março de 2016, a espera tinha acabado. Batman Vs Superman: A Origem da Justiça entrava em cartaz em solo brasileiro. Um ano após seu lançamento, agora que a poeira baixou, estamos em um ótimo momento para fazermos um breve retrospecto em relação à repercussão da obra, que tanta controvérsia provocou. A crítica torceu o nariz; a Warner não atingiu a meta do bilhão; uma parcela do público – acostumado com o tom mais leve estabelecido por outros filmes do gênero – não entendeu a proposta e considerou o longa “sério demais”. Nada disso, porém, manchou o enorme impacto positivo que o filme causou, não apenas entre os fãs, mas na cultura pop. A grande maioria dos expectadores espalhados por todo o planeta gostou do que viu, e lotou os cinemas, levando o filme a conseguir uma arrecadação mundial de quase 900 milhões de dólares.

Sim, BvS foi, incontestavelmente, um grandioso sucesso de bilheteria. Quatro meses após o lançamento na telona, foi ainda colocada à venda uma versão estendida em DVD e Blu-ray. Quem viu, diz que o roteiro, desta vez, está bem mais amarrado. Em meio à tantas polêmicas, portanto, a proeza de BvS pode ser sintetizada em uma única palavra: OUSADIA. Sim, pois além de realizar o sonho dos fãs de ver esses dois ícones (com um bônus da Mulher-Maravilha) juntos num mesmo filme, a Warner/DC ainda entregou ao público uma nova, e muito bem-vinda, forma de se fazer um filme de super-herói.

O clima lúgubre e a opção pela paleta noturna prevalecem durante quase todo o tempo. A narrativa é praticamente desprovida de humor. Mesmo tendo que trabalhar com elementos de fantasia, o diretor Zack Snider não abriu mão do tom mais sóbrio. Em relação à fotografia dark, a apresentação de um Batman (desde sempre uma ‘criatura da noite’) ainda mais assustador e violento do que já foi visto em versões anteriores, inevitavelmente tornaria a produção mais sombria, até porque uma das (muitas) inspirações para o roteiro foi O Cavaleiro das Trevas, não o do Nolan, mas o de Frank Miller em sua clássica HQ lançada em 1986. E a trilha sonora espetaculosa, composta pelo experiente Hans Zimmer, e incrementada por corais operísticos, se em alguns momentos pode soar exagerada, em outros contribui para deixar o longa com uma estrutura de fábula sinistra. Em contrapartida, em meio a tanta escuridão que marca o estilo de vida e a ambientação do Homem-Morcego, há, sim, trechos ensolarados, que nos levam ao outro pilar deste duelo de titãs.

Durante todo o filme, o Superman é visto de uma maneira lírica, evidenciando o seu aspecto sobrenatural. Nuvens e raios de sol ajudam a ilustrá-lo como um ser celestial, quase divino, e referências cristãs pontuam o longa em vários momentos. Gostem ou não dele, as pessoas do mundo o veem como alguém diferente, e o herói alienígena sente isso. Kal-El/Clark Kent se preocupa ainda em relação à sua presença neste mundo, e as consequências que isso pode gerar. Também o vemos raivoso, com os olhos vermelhos incandescentes que o tornam uma figura surpreendentemente ameaçadora, algo incomum em se tratando deste personagem, (quase) sempre retratado como um ideal de bondade e altruísmo.

A época da inocência há muito já ficou para trás. Zack Snider levou aos cinemas velhos personagens de HQs em novas versões para os nossos tempos! Enquanto outras produções do gênero optam pela humanização de seus super-seres, a Warner preferiu retratá-los como lendas. Sobrepondo, pois, trevas à luz, a DC estabeleceu o seu estilo sombrio na tela e, com isso, deu o passo decisivo para a consolidação de sua franquia, que este ano está despertando no público uma expectativa tão grande, senão ainda maior, pela sua continuidade, com Mulher-Maravilha, que chega às telas em Junho, e Liga da Justiça, que entra em cartaz em Novembro. Um ano depois, este é, portanto, o legado deixado por Batman Vs Superman: A Origem da Justiça. Legado este que ainda vai repercutir por gerações e gerações.

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