Lembra do canal SyFy? Aquele que se chamava Sci Fi e te trouxe uma obra de arte chamada Battlestar Galactica? Então, após conteúdos de qualidade questionável (estou olhando para você Sharknado), eis que o canal se redime e inicia uma nova fase de sua vida, com séries de ficção científica dignas de sua audiência. Uma destas séries é The Expanse.

The Expanse é baseada na série de livros de mesmo nome, dos autores Daniel Abraham e Ty Franck, escrevendo sob o pseudônimo James. S. A. Corey. O primeiro livro, Leviathan Wakes, foi indicado ao Hugo Awards e ao Locus Awards (dois dos maiores prêmios literários da ficção científica) de melhor romance no ano de 2012.

A história se passa 200 anos no futuro, época na qual a humanidade já coloniza diversos pontos do Sistema Solar. Acompanhamos o detetive Josephus Miller, um belter (nome daqueles que nascem fora da Terra, no cinturão de asteroides – em inglês asteroid belt) de Ceres, um planetoide localizado no cinturão entre Marte e Júpiter, incumbido de investigar o sumiço da filha de um magnata terráqueo.

Detetive Miller (Thomas Jane).

Acompanhamos também James Holden, um terráqueo que é XO (segundo no comando – executive officer) da Canterbury, uma nave transportadora de gelo.

James Holden (Steven Strait).

Rapidamente percebemos que o universo em que se passa a história é ricamente construído, principalmente com a relação destes dois personagens com os demais da trama, mas também com detalhes das relações sociais e comerciais do Sistema Solar que são apresentados já no primeiro momento da série.

Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência daqueles que não assistiram à série, a relação entre a Terra, Marte e o cinturão (Belt), que já não é muito estável, sofre um revés ainda maior quando há um acidente envolvendo a Canterbury e uma nave de tecnologia muito avançada que parece ser marciana.

O Seriado começou sem chamar muita atenção, com um primeiro episódio um pouco lento, mas que serve para estabelecer (de forma excelente, diga-se de passagem) a base do universo em que se passa a história assim como dos personagens que vamos conhecendo ao longo dos episódios. O que mais me chamou atenção em The Expanse – tanto no livro quanto na série – é que os personagens são extremamente reais, não existe o humano perfeito. Somos apresentados a pessoas com falhas em um universo que não é branco ou preto, mas sim cinza. Isto torna os personagens muito mais identificáveis para o telespectador.

Falando como uma pessoa que leu o primeiro livro quase inteiro (passando da parte abordada na primeira temporada da série), posso dizer que é bem fiel à fonte, não deixa nada a desejar. O roteiro foi muito bem adaptado para a TV e apesar de ter aqueles clichês que parecem ser impossíveis de se eliminar, os diálogos de maneira geral são muito bem construídos. A história levanta questões sobre ética e moral que aprecio. Outro ponto que chama muito a atenção é que apesar de se passar 200 anos no futuro, as tecnologias apresentadas na série são muito plausíveis. Não se trata de uma space opera como Star Trek ou Star Wars, que possuem tecnologias muito (muito!) distantes daquilo que vemos como possível hoje. O seriado é bem “pé no chão” quanto a esta questão.

Se você adora ficção científica e ainda não está assistindo à The Expanse, corre! A primeira temporada, composta por 10 episódios, está disponível no Netflix e a segunda está passando atualmente nos Estados Unidos.

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