No início do mês de maio foi lançado o livro Poder Absoluto, obra de ficção científica do brasileiro Jean Gabriel de Castro Álamo. Este é o primeiro trabalho publicado do jovem autor de 24 anos. O livro pode ser encontrado na Amazon por R$ 5,99 no formato ebook para leitura no Kindle ou, em outros dispositivos, através do aplicativo de mesmo nome. O link para compra encontra-se no final da matéria. Confira abaixo a sinopse oficial e uma pequena entrevista com o autor.

No ano de 2257, a humanidade alcançou a singularidade tecnológica, sendo governada pelo autointitulado Suserano, um cientista que, em nome de um ideal utópico, realizou upload de sua consciência para a Internet pouco antes de morrer.

Após uma chacina provocada por robôs policiais num albergue na Cidade 1223, a repórter Diana mergulha numa investigação com raízes nas mais profundas estruturas de poder do Governo. Para isso, ela se aliará ao seu novo namorado, Pietro; Quorra, sua irmã, que faz parte de um grupo hacktivista; Carlos, líder de um grupo revolucionário batizado de MK Ultra, que busca se manter financeiramente traficando softwares de ondas binaurais; e SME-4, um sintozoide experimental fugitivo.

Ao mesmo tempo, ela e seus aliados se verão perseguidos pelo Detetive Edson, um implacável androide que fará de tudo para proteger o Governo e a paz social.

Quando teve início seu interesse pela escrita?

Aos 9 anos, quando ganhei do meu pai um box com a trilogia de livros O Senhor dos Anéis. Lá pela metade do primeiro livro, eu já sabia que não queria outra coisa da vida que não fosse ser escritor.

E pela Ficção Científica?

Bom, mais uma vez, culpa do meu pai. Ele tinha uma videolocadora e eu tinha tempo livre. Pude experimentar um pouco de cada gênero por lá, e a Ficção Científica foi algo pelo qual fui tomando gosto de forma muito natural.

Quanto tempo durou o processo de escrita de Poder Absoluto e quais foram as maiores dificuldades que enfrentou ao escrevê-lo?

A escrita em si durou apenas um mês. Terminada a escrita, deixei o projeto engavetado por uns dois ou três meses e fui me dedicar a outras narrativas, antes de voltar e revisar, o que, pra mim, sempre leva mais tempo do que escrever. Nesse caso, foram uns dois meses só de revisão. A maior dificuldade foi o desafio autoimposto de escrever uma “hard sci-fi” acessível a todos. Isso não só demandou uma intensa pesquisa sobre diversos campos científicos (visto que eu não queria sair do “passível de ser possível”), como exigiu todo um cuidado com terminologias.

Como escrever um texto “hard sci-fi” para um público diverso, que em sua maioria não está familiarizado com os termos técnicos que podem aparecer na obra?

Eu precisei me valer de diferentes recursos para isso. Em primeiro lugar, eu queria me fazer entender; em segundo, ter uma narrativa ágil. Então me vali de 3 coisas para conseguir isso:

1) Criei notas de rodapé para cada conceito que não fosse familiar mesmo para quem nunca leu mesmo uma “soft sci-fi“. Assim, a explicação para cada conceito se tornou opcional de acordo com o nível de familiaridade com o gênero.

2) Eu me vali de diálogos, onde um personagem que entende determinado conceito o explica a outro que não entende. Assim, o leitor leigo não só se coloca no lugar do que não entende, como me permitiu avançar na narrativa na medida em que desenvolvia esse tipo de diálogo.

3) Usei uma vez um “flashback” de um personagem que tentava se lembrar de uma aula que teve na infância sobre buracos de minhoca. Falando dessa forma, sobre uma criança ter aulas desse tema, pode soar estranho. Mas buracos de minhoca são parte da rotina das pessoas no futuro apresentado em Poder Absoluto.

Em qual subgênero da ficção científica você enquadraria o livro Poder Absoluto?

Pós-Cyberpunk com Biopunk.

Tendo em vista o aprofundamento de questões tecnológicas no livro, como foi o processo de pesquisa?

Bom, eu tinha a ideia e precisava saber se os elementos nela eram passíveis de se tornarem viáveis algum dia. Então eu em geral buscava artigos acadêmicos a respeito dos temas propostos no livro. Quando não encontrava, buscava respaldo em teorias que pudessem sustentar minhas próprias ideias.

Quais obras mais te influenciaram na escrita do livro? 

Na literatura – O Problema dos Três Corpos (Cixin Liu) foi a influência mais importante, certamente, tanto que se tornou um dos meus livros de cabeceira; Guerra do Velho (John Scalzi); Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? (Philip K. Dick); Não Verás País Nenhum (Ignácio de Loyola Brandão); assim como The Windup Girl (Paolo Bacigalupi) e 1984 (George Orwell). No cinema – Minority Report (2002); Ex Machina (2015); Equilibrium (2002); Tron (1982). Nos jogos – Deus Ex: Human Revolution (2011).

O mercado editorial parece finalmente enxergar o nicho de Ficção Científica e Fantasia como algo valorizado pelo consumidor. Cada vez mais editoras estão publicando livros destes gêneros, trazendo clássicos que nunca tiveram atenção no país, assim como obras de diversos novos escritores que estão sendo bem sucedidos nos Estados  Unidos e Europa, como é o caso de “Guerra do Velho”, de John Scalzi, publicado no Brasil pela Editora Aleph. Como você vê a produção nacional destes gêneros e a recepção do mercado brasileiro aos nossos autores? Acha que estamos no caminho certo?

O mercado editorial foi praticamente forçado a isso. O brasileiro leva a má fama de não gostar de ler, e por vezes pensa isso de si mesmo. Culpa das editoras, que por anos insistiram em copiar a receita “Coronel, Cacau e Mulata” de autores da nossa literatura clássica, que em muito copiava a literatura francesa em sua época. Percebendo que o brasileiro tem certo gosto para a Fantasia e Ficção Científica, ela tem experimentado. Infelizmente, porém, tem levado ao público em quantidade absurdamente maior autores estrangeiros em detrimento dos nacionais. O mérito dessa abertura, portanto, é do leitor nacional, não das editoras. Mas vejo aí um futuro promissor não só para a Fantasia e Ficção Científica, mas para a literatura nacional num panorama geral.

Quais obras nacionais você indica para quem gosta destes dois gêneros literários?

Eu indico Não Verás País Nenhum (Ignácio de Loyola Brandão), A Guerra dos Criativos: Jornada aos Pilares (Alec Silva), Chronesthesia (Bruno  Queiroz) – incompleta por enquanto e disponível no Wattpad, qualquer coisa escrita pelo Gilson Luis da Cunha.

Sabemos que em breve será lançado o conto “Androides Não São Perfeitos”, o qual pode ser encarado como uma prequela para Poder Absoluto. Fale um pouco sobre o conto e como ele se conecta com o livro.

A história se passa alguns anos antes de Poder Absoluto, e narra um dia da rotina de uma dupla de policiais. Um deles é Edson, androide replicante que é também um dos protagonistas em Poder Absoluto; o outro é Lucas, último policial humano, excetuando-se por aqueles em altos cargos da cadeia de comando. Assim como em Poder Absoluto, o planeta é governado por uma entidade virtual chamada de Suserano, um humano que fez upload de consciência para um supercomputador orbital. Em Androides Não São Perfeitos, Edson e Lucas estão no encalço de um traficante de drogas binaurais conhecido por Rei Amarelo. Cada ato da história leva o título de uma obra clássica à qual as filosofias apresentadas se alinham ou a trama faz algum tipo de referência.

Pretende seguir o “bom doutor” (Isaac Asimov) e conectar todas as suas obras, criando um universo único?

Sim, todas as minhas obras pertencem a um mesmo universo. Exceto pelos livros de Fantasia, os quais já tenho alguns prontos. Estes livros, porém, são obras literárias que existem dentro do universo de Ficção Científica.

Quais são os projetos para o futuro?

Bom, atualmente, eu tenho 84 projetos em mente, então acho que vou falar apenas dos principais. Hahaha! No momento, estou terminando o conto Androides Não São Perfeitos e iniciando um romance chamado Teste de Turing, ambos se passando antes de Poder Absoluto; estou estacionado na metade de outro romance chamado Guerra ao Sol, que se passa quase mil anos no nosso futuro; tenho duas Space Operas em mente; uma série de livros que anda a 1/5 de ser terminada, e certamente será a história mais longa já escrita (juro que tentei evitar, mas a complexidade da história não me permite); o livro 21 Gramas, que tratará de vida após a morte numa visão de Ficção Científica.

Quais as obras contemporâneas de Ficção Científica ou Fantasia que você sempre recomenda para as pessoas (livros, filmes, séries, HQs, video game, qualquer que seja a mídia)?

O Problema dos Três Corpos (Cixin Liu), Ex Machina (2015), Interestelar (2014), As Crônicas de Gelo e Fogo (George R. R. Martin), Sonho Febril (George R. R. Martin), O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien e filmes), Conan – HQs antigas e os filmes com Arnold no papel principal (filmes da década de 1980), Deus Ex: Human Revolution, Binary Domain e Mass Effect (três games da sétima geração).

Marvel ou DC?

As duas têm seus ótimos e péssimos momentos. Atualmente, DC nos quadrinhos e Marvel nos cinemas.

Star Trek ou Star Wars?

Star Trek.

Asimov, Clarke ou Heinlein?

Poxa, me pegou nessa. Não consigo decidir.

Última pergunta, porém não menos importante: Deckard replicante, sim ou não?

Por muito tempo, considerei que não; depois passei a achar que sim; nos trailers de Blade Runner 2049, Harrison Ford está velho, então voltei a considerar que não.

 

O livro Poder Absoluto está disponível aqui. Se você gosta de Ficção Científica, não deixe de conferir o livro e ajude a fomentar o mercado e autores nacionais deste gênero!

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