Esse texto contém spoiler do segundo episódio da oitava temporada de Game Of Thrones.

Quando eu era mais jovem comecei a ler Senhor dos Anéis. Apesar de gostar do universo criado por JRR Tolkien me irritava profundamente alguns momentos da trama, como o fato dos Hobbits parecerem estar sempre cantando alguma canção ou comendo alguma coisa, ou viajando para algum lugar. Todos esses fatos rotineiros levavam 100, 200 páginas. Já a batalha em si era resolvida em 20 ou 30. “São 5 páginas de batalha e 100 páginas de conversa de Hobbit”, eu pensava.

Se a oitava temporada de Game Of Thrones fosse um livro (alô, GRR Martin, esse livro sai algum dia?) o episódio 2 seria um capítulo que eu, racionalmente, até entenderia, mas que eu me esforçaria um pouco para ler. Mesmo com vários momentos importantes para a trama, esse foi um daqueles episódios em que muito pouco do que acontece é importante.

Novamente a série se remete muito a eventos ocorridos nas primeiras temporadas, alguns diálogos servindo apenas para lembrar o expectador que porque fulano é tão odiado ou quem era beltrano. Os diálogos expositivos podem não ser aquela maravilha mas servem ao seu propósito – tive certa dificuldade em me lembrar de tantos momentos anteriores: as pessoas gostam de Theon? Jaime e Brienne tiveram algo que apenas amizade?

Em meio aproximação do Rei da Noite (que está marchando para Winterfell desde a temporada passada mas parece nunca chegar) temos espaço para alguns momentos interessantes como a reunião sobre estratégia de batalha que finalmente explicou o que tanto o Rei da Noite quer com Bram. Outro grande momento foi uma conversa, próxima do final, entre John e Daenerys. A questão do trono de ferro parece cada vez mais resolvida – se houver um trono de ferro ao final de tudo.

Particularmente não gosto dos rumos que essa questão do herdeiro do trono tem tomado. O diálogo entre Sansa e Daenerys ainda faz sentido, afinal Sansa é uma Stark e o norte realmente tem uma reputação em desconfiar de forasteiros. Apesar disso, tive a sensação de que estão tentando tornar Daenerys menos perfeita para favorecer John. Depois de 7 temporadas louvando a “mãe dos dragões”, a onda agora e favorecer a liderança de outra pessoa e, embora coerente em muitos aspectos, isso está um pouco estranho. Só espero que não haja nenhuma tentativa de vilanizar essa personagem no final.

Apesar desses momentos, a sensação que eu tive é que usaram esse episódio para valorizar alguns vínculos entre certos personagens, para que, quando um ou outro morrer no episódio seguinte, haja quem lamente por ele. Em meio a iminência da morte e às vésperas da batalha contra os Whitewalkers  temos vários momentos de ternura: Daenerys e John, o bizarro triângulo amoroso entre Brienne, Tormund e Jaime, Theon e Sansa, Verme Cinzendo e Missandei – o amor está no ar em Winterfell.

Algumas dessas cenas são coerentes com o restante das temporadas, como a cena em que Jaime nomeia Brienne cavaleiro (a). Já era hora dessa personagem ser valorizada de alguma forma e foi bonito de ver que justamente Jaime Lannister deu a ela esse presente.

Já outra cenas foi, para mim,  além do bizarro: após 8 temporadas vendo Maise Williams crescer precisávamos mesmo de uma cena de sexo envolvendo Arya e Gendry? Tive que jogar no Google para saber se ela tinha idade para isso (a atriz tem 22 anos). Ainda assim, fiquei pensando se isso combina com a personagem que passou a série inteira só pensando em vingança e retaliação.

No geral,  foi um episódio mais de desenvolvimento de personagem que da trama. O final mostra que o próximo episódio será pura a batalha e estou  ansiosa para isso. Mas não posso deixar de lado a sensação de que esse episódio durou um pouco mais do que deveria – assim como as conversas e refeições dos hobbits em ‘A sociedade do Anel’.

nota 3/5