O texto contém alguns spoilers do episódio s08e03

“Tenha dó! Mas que demora!”

Uma das primeiras frases do terceiro episódio da oitava de Game Of Thrones resumiu o sentimento de todos nós. Depois de um segundo episódio cheio de diálogos e cenas feitas com o único propósito de temer pela vida de um ou outro personagem, finalmente chega a hora da batalha em Winterfell. Os mortos estão chegando e, junto deles, o Rei da Noite, pronto para acabar com a vida de Bran e destruir tudo ao seu redor.

Mas, se o Rei da Noite tem seus truques, os vivos também o tem. A começar pelos dois dragões de Daenerys, estrategicamente posicionados desde o inicio da batalha para localizar o Rei da Noite. Confesso que achei um pouco de covardia da parte de John se esconder no alto mas, se o objetivo era acabar com um para destruir todos então aí temos uma boa estratégia – do alto é mais fácil ver a aproximação do ser que monta um dragão de gelo.

 

Outro grande reforço para o time dos vivos nesse episódio é o reaparecimento de Melisandre. Após ir embora sob a alegação de que cometeu muitos erros, a bruxa retorna e tenta ajudar os vivos com os poderes do Senhor da Luz. “Não se preocupe, estarei morta antes do raiar do dia”, diz Melisandre a Sor Davos. Ao menos um destino nós já conhecemos – resta saber o restante.

Um dos pontos mais relevantes na construção desse episódio foi a valorização dos embates entre mais fortes e mais fracos. Isso vai desde a batalha entre os vivos e os mortos, numericamente mais numerosos até a momentos específicos da onde o embate lembrou muito Davi e Golias (ou coisa assim).

 Nem sempre os menores e mais fracos venceram e quem assistiu sabe quantas vidas foram perdidas. A tensão durante essa batalha foi tão forte que eu não consegui sequer chorar ao ver grandes personagens dizendo adeus a série. A cena em que Arya foge dos mortos na biblioteca é, para mim, um momento que é puro filme de terror em meio todo aquele caos e ação. Ao mesmo tempo essa cena também nos dá uma poderosa informação a respeito da capacidade de passar desapercebida que a nossa assassina favorita tem, algo que só vamos compreender no desfecho sensacional dessa batalha.

Enquanto o mundo se despedaça lá fora, Sansa, Tyrion e todas as mulheres e crianças de Winterfell estão a salvo na cripta. Tudo parece bem até que o óbvio acontece: quem poderia imaginar que guardar os mais frágeis dentro de um local cheio de mortos seria uma má ideia em uma batalha contra um ser que ressuscita os mortos, não é mesmo? Certamente não os estrategistas dessa batalha.

Uma das coisas que mais gostei nesse episódio é que todos os personagens, mesmo os mais fortes e invencíveis, demonstraram algum tipo de fragilidade. Temos Daenerys encurralada depois de seu famoso Dracarys falhar. Temos O Cão, encurralado e temendo o fogo. Temos Arya Stark, amedrontada em uma sala com zumbis. É justamente quando esses personagens estão em seu ponto mais vulnerável que dão o seu melhor: seja pegando uma espada para lutar contra uma horda de morto vivos, seja enfrentando seus medos para salvar alguém que é importante para si ou seja protagonizando momentos épicos.

O episódio foi mais escuro do que eu imaginava e os efeitos especiais não tão bons. Há alguns personagens que estão fazendo hora extra na trama e, faltando três episódios para acabar, é difícil saber como terminarão a maioria deles, até mesmo os meus favoritos.  Mesmo reconhecendo os diversos limitadores, é difícil deixar de pensar nesse episódio com emoção e com a sensação de final feliz.

Em minha última review citei “O senhor dos Aneis” e, mais uma vez, me lembrei da série, dessa vez dos filmes. A cena da morte do Witch King ressoou demais ao final desse episódio e, embora nenhuma fala tenha sido dita nesse momento, podemos emprestar o diálogo da saga mais antiga. “No man can kill me” diz o Witch King, confiante de seu poder. “I’m no man” diz Éowyn. Nos cinemas eu aplaudi demais essa cena mas, em Game Of Thrones  eu só pude chorar de alívio e emoção pelo plot twist mais inesperado de todos.

4/5